Nos cinco primeiros meses de 2020, financiamento imobiliário cresceu 23,2% no Brasil

Nos cinco primeiros meses de 2020, financiamento imobiliário cresceu 23,2% no Brasil





Sem sofrer grandes impactos com a pandemia, mercado imobiliário nacional acompanha período de crescimento


Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o financiamento imobiliário no Brasil, com recursos da poupança (SBPE), atingiu o montante de R$ 7,13 bilhões até o início do mês de junho, período em que o estudo foi finalizado.


A entidade divulgou ainda que, nos 5 primeiros meses de 2020, a concessão de créditos destinados à construção e à aquisição de imóveis aumentaram em 23,2%, se comparada ao mesmo intervalo do ano passado. A percentagem corresponde diretamente a R$ 34,1 bilhão.


No ranking de crescimento, o mês de abril assumiu a primeira posição ao apresentar alta de 6,5%. Vale ressaltar que a paralisação em grande parcela do mercado nacional, decorrente da atual crise sanitária, teve início protocolar também em abril, fator que demonstra consequências moderadas — e, até mesmo, nulas — no setor imobiliário.


Em nota, a Abecip informou que “o volume financiado em maio, segundo mês completo sob isolamento social, foi praticamente igual ao de janeiro, ou seja, no período anterior à pandemia, indicando que houve, até o momento, impacto reduzido da crise do novo coronavírus sobre o crédito imobiliário com recursos do SBPE”.


Remando contra a maré da pandemia


Como indicado pela instituição, o resultado de abril insinua que a pandemia não ocasionou impactos negativos sobre os processos de captação de crédito imobiliário. A principal razão concentra-se no volume de empréstimos concedidos durante o período.


Apesar de ser o primeiro mês completamente sob regime de isolamento social, o período analisado, por exemplo, registrou dados semelhantes a janeiro, fevereiro e março.


Inclusive, em relação ao mesmo quadrimestre de 2019, verificou-se, ainda, uma alta de 27,9% no número de empréstimos entre janeiro e abril, que atingiram R$ 26,95 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, até a referida data, os empréstimos somaram R$ 84,59 bilhões, valor correspondente a um acréscimo de 33,9%.


Somente entre janeiro e abril, 102,72 mil unidades imobiliárias foram financiadas — 22% a mais que o aferido em 2019. Já nos últimos 12 meses, 316,6 mil imóveis foram viabilizados graças às linhas de créditos — alta de 25,8% em relação ao ano passado.


Portabilidade de crédito


Neste ano, entre diversos fatores, os sucessivos cortes na taxa básica de juros da economia nacional, a Selic, ocasionaram quedas nos juros do crédito imobiliário. Mesmo com essa vantagem, sob perspectivas do setor, muitos brasileiros que, almejando o sonho da casa própria, optaram pela obtenção de créditos no ano passado — período em que a Selic ainda apresentava dois dígitos — seguem pagando, de maneira desnecessária, taxas acima da atual média de mercado.


Uma alternativa viável para quem não quer perder dinheiro é a portabilidade de crédito, processo no qual é possível migrar as parcelas restantes de uma dívida para outra instituição financeira, onde as taxas de cobrança estão em conformidade com os valores atuais — segundo simulações em uma plataforma especializada em crédito imobiliário, a alteração de banco pode acarretar uma poupança de até R$ 200 mil em determinados casos.


Neste momento, diferentemente do que ocorria há alguns anos, o cliente que realiza um financiamento não fica preso à taxa fixada no momento do acordo, uma vez que, assim como de fato ocorreu, os juros sofrem variações conforme o mercado e suas flutuações.


A denominada portabilidade, na configuração apresentada acima, foi desenvolvida em 2006, por intermédio da regulamentação nº 3.401/2006 do Banco Central. Em resumo, a homologação permitiu que o cidadão que optar por qualquer linha de crédito tem direito pleno de migrar a dívida, sem custos adicionais, a qualquer momento, para um banco que ofereça menores taxas. Em 2013, a resolução nº 4.292 instaurou como norma o prazo de até 5 dias úteis para a realização efetiva da transição.


Fonte: Jornal Cruzeiro

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