O mercado de imóveis comerciais segue demonstrando sinais consistentes de recuperação. Em maio de 2026, o preço médio dos aluguéis de salas e conjuntos comerciais registrou alta de 1,48%, a maior variação mensal desde abril de 2012, segundo o Índice FipeZap de Venda e Locação Comercial. O desempenho superou a inflação medida pelo IPCA no período e reforça uma tendência de valorização observada desde 2021.

O movimento chama a atenção porque ocorre após um longo período de dificuldades enfrentadas pelo mercado corporativo. Entre 2014 e 2020, o segmento comercial sofreu com retração econômica, aumento da vacância e mudanças nos modelos de trabalho. Nos últimos anos, porém, a retomada gradual das atividades presenciais e a busca por espaços mais qualificados têm impulsionado novamente a demanda por imóveis comerciais.

Locação avança mais rapidamente que os preços de venda

Um dos aspectos mais relevantes do cenário atual é o descolamento entre os mercados de locação e de compra e venda. Enquanto os aluguéis comerciais acumulam altas expressivas, os preços de venda apresentam crescimento mais moderado.

Em maio, os valores de venda avançaram apenas 0,20%, enquanto os aluguéis cresceram 1,48%. No acumulado de 12 meses, a locação comercial registra valorização de 10,60%, muito acima da evolução observada nos preços de venda.

Essa diferença indica que a demanda por ocupação de espaços comerciais está crescendo em ritmo superior ao interesse pela aquisição dos imóveis, cenário que costuma favorecer investidores focados em geração de renda.

Rentabilidade chama atenção dos investidores

Outro indicador que reforça o momento positivo do segmento é a rentabilidade do aluguel comercial. Conhecido como rental yield, o índice mede o retorno anual obtido com a locação em relação ao valor do imóvel.

Segundo o levantamento, a rentabilidade média dos imóveis comerciais atingiu 7,47% ao ano em maio de 2026, superando a média observada no mercado residencial, que gira em torno de 6,11% ao ano.

Embora aplicações financeiras ainda possam oferecer retornos superiores em determinados momentos, o resultado evidencia que os imóveis comerciais voltaram a ocupar uma posição relevante nas estratégias de diversificação patrimonial.

Capitais lideram a valorização

O avanço dos aluguéis não ocorreu de forma uniforme entre as cidades monitoradas pelo índice. Algumas capitais vêm apresentando desempenhos significativamente superiores à média nacional.

No acumulado dos últimos 12 meses, Salvador registrou valorização de 19,52%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 17,73%, e Florianópolis, com 12,35%. Curitiba também aparece entre os destaques, com alta de 10,30% no período.

Já Porto Alegre apresentou crescimento mais moderado, acumulando valorização de 1,04% nos últimos 12 meses e alta mensal de 0,65% em maio.

O que está impulsionando os aluguéis comerciais?

Diversos fatores ajudam a explicar o aquecimento do segmento. Entre eles estão:

  • Retorno gradual das atividades presenciais em empresas e serviços;
  • Busca por localizações estratégicas e imóveis mais modernos;
  • Redução da oferta disponível em algumas regiões;
  • Crescimento de pequenos negócios e operações de serviços;
  • Readequação dos preços após anos de baixo desempenho do setor.

Além disso, o mercado vem passando por uma correção natural após um período prolongado de vacância elevada, o que contribui para o reajuste dos valores de locação.

Perspectivas para os próximos meses

Os dados mais recentes indicam que o mercado comercial segue em trajetória positiva. O aluguel comercial já havia apresentado crescimento de 2,35% apenas no primeiro bimestre de 2026, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

Se a demanda continuar aquecida e a oferta permanecer controlada nas principais regiões corporativas do país, a tendência é de manutenção da valorização dos aluguéis ao longo dos próximos meses.