O mercado de locação residencial apresentou um comportamento mais moderado em junho de 2026. Segundo o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), os aluguéis subiram 0,10% no mês, abaixo da alta de 0,33% registrada em maio. No acumulado de 12 meses, o índice também perdeu força, passando de 5,42% para 4,46%.
Embora o cenário nacional indique desaceleração, Porto Alegre seguiu na direção oposta e registrou uma nova aceleração nos preços da locação, reforçando a força do mercado imobiliário da capital gaúcha.
Porto Alegre manteve a trajetória de alta
Enquanto São Paulo registrou queda de 0,19% nos aluguéis em junho — movimento que puxou o resultado nacional para baixo — Porto Alegre apresentou alta de 0,33%, levemente superior aos 0,32% registrados em maio. Ou seja, mesmo em um cenário de desaceleração nacional, a capital gaúcha manteve o mercado aquecido.
No acumulado de 12 meses, o IVAR aponta alta de 3,06% para Porto Alegre. Apesar desse percentual ser inferior ao de outras capitais acompanhadas pelo índice, ele considera apenas contratos administrados por imobiliárias e representa valores efetivamente negociados entre proprietários e inquilinos.
O que explica a força da locação em Porto Alegre?
O mercado de locação em Porto Alegre vem demonstrando resiliência ao longo dos últimos meses. A procura por imóveis continua elevada, impulsionada por fatores como:
- dificuldade de acesso ao crédito imobiliário devido aos juros elevados;
- aumento da demanda por moradia em bairros bem estruturados;
- oferta limitada de imóveis disponíveis para locação em diversas regiões;
- preferência de muitas famílias por permanecer no aluguel enquanto aguardam um cenário mais favorável para a compra do imóvel próprio.
Além disso, a capital gaúcha ainda sente reflexos do forte aumento da demanda por imóveis após as enchentes de 2024, fator que contribuiu para manter os preços pressionados em diversas regiões da cidade.
O comportamento das principais capitais
Os dados do IVAR mostram que cada mercado apresentou uma dinâmica diferente em junho:
- São Paulo: -0,19%
- Rio de Janeiro: +0,35%
- Belo Horizonte: +0,34%
- Porto Alegre: +0,33%
A queda registrada em São Paulo teve peso suficiente para reduzir o resultado nacional, já que a capital paulista possui a maior participação na composição do índice. Enquanto isso, Porto Alegre manteve sua trajetória positiva, confirmando a estabilidade da demanda por locação na cidade.
O que esperar para os próximos meses?
Mesmo com uma inflação mais controlada e juros elevados limitando reajustes mais agressivos, o mercado de locação em Porto Alegre continua apresentando fundamentos sólidos.
A combinação entre oferta restrita e demanda consistente tende a manter os aluguéis em patamar elevado, principalmente em bairros com infraestrutura consolidada, boa mobilidade e forte procura por parte de estudantes, profissionais e famílias.
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