O crédito com garantia de imóvel, conhecido como Home Equity, segue ganhando espaço no mercado brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as concessões dessa modalidade somaram R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 30,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estoque total da carteira também avançou, alcançando R$ 34,1 bilhões.
O aumento demonstra que cada vez mais brasileiros estão utilizando o patrimônio imobiliário como forma de acessar crédito com condições mais vantajosas do que as oferecidas em linhas tradicionais.
O que é Home Equity?
Home Equity é uma modalidade de empréstimo em que o proprietário oferece um imóvel como garantia da operação.
Na prática, o banco ou instituição financeira concede o crédito tendo o imóvel como garantia de pagamento. Em contrapartida, o cliente continua sendo o proprietário do bem e pode seguir morando, alugando ou utilizando normalmente o imóvel durante toda a vigência do contrato, desde que mantenha os pagamentos em dia.
É importante destacar que Home Equity não é um financiamento imobiliário. No financiamento, o crédito é destinado exclusivamente à compra de um imóvel. Já no Home Equity, o recurso pode ser utilizado para diversas finalidades.
Para que o crédito pode ser utilizado?
Uma das principais características dessa modalidade é a liberdade de utilização dos recursos.
Entre os usos mais comuns estão:
- quitação de dívidas com juros elevados;
- reformas ou ampliações de imóveis;
- investimentos em empresas;
- capital de giro;
- pagamento de estudos;
- projetos pessoais ou familiares.
Como não existe uma destinação obrigatória, cabe ao tomador decidir como utilizar o valor obtido.
Por que os juros são menores?
O principal motivo é a garantia oferecida pelo imóvel.
Como a instituição financeira assume um risco menor de inadimplência, consegue oferecer taxas de juros significativamente inferiores às do empréstimo pessoal, cheque especial ou cartão de crédito.
Além dos juros mais baixos, os contratos costumam contar com prazos de pagamento bastante longos, que podem chegar a 15 ou até 20 anos, dependendo da instituição financeira.
Quanto é possível contratar?
O valor disponível varia conforme a política de cada banco e a avaliação do imóvel.
Em geral, as instituições financeiras liberam entre 50% e 60% do valor de mercado do imóvel oferecido como garantia.
Na prática, entretanto, o percentual efetivamente contratado costuma ser menor. Dados da Abecip mostram que, em 2026, a relação média entre o valor do empréstimo e o imóvel dado em garantia (LTV) ficou em aproximadamente 33%, com valor médio das operações de R$ 267 mil e prazo médio de 13 anos.
O que explica o crescimento do Home Equity?
Diversos fatores contribuíram para a expansão dessa modalidade.
Entre eles estão:
- maior conhecimento da população sobre o produto;
- busca por crédito mais barato;
- necessidade de reorganização financeira;
- utilização do patrimônio imobiliário como fonte de liquidez.
Outro fator importante foi o avanço do Marco Legal das Garantias, que simplificou procedimentos relacionados às garantias imobiliárias e ampliou a eficiência das operações de crédito. Além disso, a regulamentação passou a permitir, em determinadas situações, que um mesmo imóvel seja utilizado em mais de uma operação de crédito, desde que exista margem disponível na garantia.
Quais são os cuidados antes de contratar?
Apesar das vantagens, o Home Equity exige planejamento financeiro.
Como o imóvel fica vinculado à operação de crédito, o não pagamento das parcelas pode resultar na execução da garantia prevista em contrato.
Por isso, especialistas recomendam que essa modalidade seja utilizada principalmente para substituir dívidas mais caras, investir em projetos com retorno financeiro ou atender necessidades relevantes, sempre considerando a capacidade de pagamento ao longo do contrato.
Tendência é de crescimento
Embora ainda represente uma parcela pequena do mercado de crédito brasileiro, o Home Equity vem registrando crescimento consistente nos últimos anos.
A combinação de juros mais competitivos, prazos alongados e maior segurança para as instituições financeiras tem ampliado o interesse por essa modalidade. À medida que o produto se torna mais conhecido e o ambiente regulatório evolui, a expectativa do setor é de que o crédito com garantia de imóvel continue ganhando relevância no mercado brasileiro nos próximos anos.


