O ano eleitoral costuma aumentar a atenção dos consumidores em relação à economia, aos juros e ao mercado imobiliário. Em 2026, porém, uma pesquisa mostra que a preocupação com o cenário eleitoral não necessariamente significa abandonar os planos de comprar um imóvel.

Levantamento realizado pela Loft em parceria com a Offerwise mostra que existe uma diferença entre a percepção sobre o comportamento do mercado como um todo e a decisão individual de quem já planeja comprar ou alugar um imóvel.

O estudo, realizado com 1.400 entrevistados em seis capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, foi realizado entre 21 e 30 de julho de 2026.

A eleição muda os planos de quem pretende comprar um imóvel?

Entre as pessoas que afirmaram ter intenção de comprar um imóvel nos 12 meses seguintes à pesquisa, 51% disseram que a eleição presidencial não altera seus planos.

Em relação às eleições estaduais, o percentual foi de 53%.

Entre os demais entrevistados, as opiniões se dividiram entre aqueles que pretendem antecipar a compra e aqueles que preferem adiar a decisão.

O resultado mostra que não existe uma única reação do consumidor diante do período eleitoral. Parte das pessoas mantém seus planos, enquanto outra parcela considera alterar o momento da compra.

É importante destacar que a pesquisa mede a intenção declarada dos entrevistados naquele período e não representa necessariamente o comportamento futuro de todo o mercado imobiliário.

A preocupação aparece principalmente no financiamento

Se a intenção de comprar permanece relativamente estável entre quem já possui esse plano, o financiamento de longo prazo aparece como um ponto de maior cautela.

Na pesquisa, 48% dos entrevistados disseram sentir insegurança para assumir um financiamento de longo prazo diante do cenário político, enquanto 18% afirmaram sentir segurança.

A diferença é importante porque a compra de um imóvel financiado envolve um compromisso financeiro que pode se estender por muitos anos.

Por isso, além do preço do imóvel, fatores como entrada, taxa de juros, prazo, sistema de amortização e capacidade mensal de pagamento fazem parte da decisão.

Por que os juros são tão importantes para o comprador?

O custo do crédito tem influência direta sobre a capacidade de compra das famílias.

Nos financiamentos habitacionais, a prestação é composta principalmente pela amortização do saldo devedor e pelos juros, além de encargos acessórios, como seguros e taxas previstas no contrato.

Dependendo da modalidade, o saldo devedor pode ser atualizado por indexadores como a TR ou o IPCA, enquanto existem também operações com taxa fixa.

Isso significa que duas pessoas comprando imóveis pelo mesmo preço podem ter condições de financiamento diferentes, dependendo da entrada, prazo, taxa contratada, renda e modalidade escolhida.

Por esse motivo, acompanhar apenas o preço anunciado do imóvel não é suficiente para avaliar o custo total da aquisição.

O mercado imobiliário continua movimentado em 2026

Os dados disponíveis para 2026 também mostram que o mercado imobiliário continua registrando movimentação mesmo em um ambiente de juros elevados.

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.

O financiamento para aquisição de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) também cresceu. Foram R$ 67,2 bilhões destinados à aquisição no primeiro semestre, alta de 12% na comparação anual.

Esses números ajudam a colocar a pesquisa sobre as eleições em perspectiva: o mercado não depende exclusivamente do calendário eleitoral. Crédito, renda, condições de financiamento, oferta, preços e demanda continuam influenciando as decisões.

E como está o mercado imobiliário em Porto Alegre?

Porto Alegre também apresenta movimentos próprios.

Dados divulgados pelo Portas com base no Panorama Imobiliário mostram que o mercado residencial vertical da capital gaúcha vendeu 390 unidades em julho de 2026, 20% acima do volume registrado em junho.

Ao mesmo tempo, o comportamento das vendas não foi uniforme entre os diferentes tipos de imóveis.

Studios e apartamentos de um dormitório responderam por 51% das unidades comercializadas no mês, enquanto os imóveis de três dormitórios representaram 33% das unidades vendidas e concentraram aproximadamente 60% do valor comercializado.

O estoque também recuou: passou de 5.980 para 5.539 unidades entre junho e julho.

Os dados mostram, portanto, um mercado com diferentes comportamentos conforme o tamanho, o padrão e a localização dos imóveis.

Eleição e mercado imobiliário: por que não existe uma relação automática?

É comum associar períodos eleitorais a expectativas de mudanças na economia. No mercado imobiliário, porém, a relação não é automática.

A compra de um imóvel envolve uma combinação de fatores que vai muito além do cenário político.

Entre os principais estão:

  • Renda familiar;
  • Valor disponível para entrada;
  • Taxas de financiamento;
  • Prazo do financiamento;
  • Capacidade de pagamento;
  • Preço e localização do imóvel;
  • Oferta disponível;
  • Necessidade de mudança;
  • Momento de vida do comprador;
  • Expectativa de permanência no imóvel;
  • Condições de negociação.

Para quem já precisa comprar um imóvel para morar, por exemplo, a decisão pode estar relacionada principalmente a uma necessidade familiar ou profissional. Para investidores, por outro lado, aspectos como renda de aluguel, liquidez e potencial de valorização podem ter peso maior.

Por isso, o impacto de um período eleitoral pode variar significativamente entre diferentes perfis de compradores.

Comprar antes ou depois da eleição?

A pesquisa mostra que existem pessoas que pretendem antecipar a compra e outras que preferem esperar.

Isso não significa, porém, que exista uma regra geral sobre qual seria o melhor momento para comprar.

O comportamento dos preços, das taxas de financiamento e da oferta de imóveis pode variar ao longo do tempo, e não é possível determinar antecipadamente como esses fatores irão se comportar exclusivamente em função das eleições.

Para quem está avaliando uma compra, uma abordagem mais objetiva é analisar as condições concretas disponíveis no momento da decisão.

Isso inclui comparar imóveis, negociar preço, verificar as condições de financiamento e calcular o impacto da parcela no orçamento familiar.

O que observar antes de financiar um imóvel

Em uma compra financiada, alguns números merecem atenção especial.

1. Valor da entrada

Quanto maior a entrada, menor tende a ser o valor financiado. Isso pode reduzir o saldo devedor e o custo total de juros, dependendo das condições da operação.

2. Taxa de juros

Uma pequena diferença na taxa pode produzir impacto significativo ao longo de um financiamento de muitos anos.

3. Prazo

Prazos maiores podem reduzir o valor da parcela inicial, mas normalmente aumentam o período de incidência dos juros.

4. Sistema de amortização

SAC e Price possuem características diferentes na evolução das parcelas e do saldo devedor. Por isso, é importante comparar as condições antes da contratação.

5. Custo efetivo da operação

Além da taxa anunciada, o comprador deve observar os demais custos envolvidos no financiamento, seguros e encargos.

6. Reserva financeira

A compra não termina com o pagamento da entrada. ITBI, registro, escritura, mudança, reformas e custos de manutenção também precisam entrar no planejamento.

O imóvel continua no radar do brasileiro

A pesquisa Loft/Offerwise apresenta um cenário interessante para o mercado imobiliário em 2026: o período eleitoral gera atenção e cautela, especialmente quando o assunto é assumir uma dívida de longo prazo, mas isso não significa que quem já planeja comprar um imóvel necessariamente abandone esse objetivo.

Ao mesmo tempo, os dados de vendas e financiamento mostram que o setor continua movimentado, inclusive diante de condições de crédito ainda desafiadoras.

Para o comprador, o período eleitoral pode ser mais um elemento a ser acompanhado, mas a decisão de compra envolve uma análise mais ampla: preço do imóvel, condições de pagamento, financiamento, renda, localização e planejamento financeiro.

Em Porto Alegre, os indicadores também mostram um mercado com comportamentos diferentes entre segmentos, reforçando a importância de analisar cada imóvel dentro de seu contexto.