A geração Z — jovens nascidos a partir de 1997 — está provocando uma verdadeira transformação no modo de morar nas grandes cidades brasileiras. Uma pesquisa recente da Loft, em parceria com a Offerwise, mostra que esses jovens estão mais abertos a compartilhar a moradia com pessoas fora do núcleo familiar, indicando uma mudança cultural significativa em relação às gerações anteriores.

Mais flexibilidade, menos tabu

O levantamento, que ouviu 1.010 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, revelou que 18% dos jovens da geração Z se dizem confortáveis ou totalmente confortáveis com a ideia de morar com não familiares. Em contraste, apenas 5% da geração Y (nascidos entre 1981 e 1996) e 3% da geração X (1965 a 1980) vivem dessa forma atualmente.

Esses números refletem uma mudança na maneira como os jovens encaram a moradia: mais como um recurso funcional do que como um símbolo de conquista e estabilidade. Para muitos, dividir um imóvel é uma solução prática, econômica e até desejável, especialmente em cidades onde o custo de vida é elevado.

“A geração Z cresceu em um ambiente mais digital, flexível e coletivo. Isso se reflete também nos hábitos de moradia”, explica Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft.

Porto Alegre e o novo perfil de moradia urbana

Em Porto Alegre, onde o custo médio do aluguel subiu significativamente nos últimos anos — principalmente em bairros como Bom Fim, Cidade Baixa e Menino Deus —, a moradia compartilhada começa a surgir como uma alternativa viável para estudantes, jovens profissionais e freelancers que desejam viver em regiões centrais sem comprometer todo o orçamento.

Segundo dados do QuintoAndar e Imovelweb, Porto Alegre está entre as capitais com maior aumento no valor dos aluguéis em 2024, o que fortalece a procura por modelos de habitação mais acessíveis e colaborativos.

Mais do que economia: estilo de vida coletivo

Ainda que o fator econômico seja relevante, a moradia compartilhada entre os jovens também se baseia em uma mentalidade mais coletiva. Muitos desses jovens valorizam a convivência, a troca de experiências e o compartilhamento de espaços — uma tendência que dialoga com conceitos como coliving e coworking.

Empreendimentos que oferecem apartamentos compactos integrados a áreas comuns equipadas, como cozinhas gourmet, lavanderias compartilhadas e salas de coworking, estão ganhando espaço no mercado imobiliário.

Além disso, essa mentalidade impacta o espaço urbano: praças com wi-fi gratuito, parques com estrutura de lazer e mobiliário coletivo, e cafés com ambientes para trabalho remoto já fazem parte da rotina dessa geração, moldando as cidades para um convívio mais colaborativo.

Oportunidade para o mercado imobiliário

Para investidores e incorporadoras, essa mudança de comportamento representa uma oportunidade de criar produtos alinhados com as novas expectativas de moradia. Pensar em espaços adaptáveis, acessíveis, com infraestrutura compartilhada e localização estratégica será essencial para atender esse público em ascensão.

A geração Z, com seu olhar prático e conectivo, vem redefinindo o que significa morar bem — e isso não envolve necessariamente morar sozinho.