O cenário econômico atual poderia indicar um desaquecimento no mercado imobiliário. Afinal, juros elevados normalmente tornam o crédito mais caro e dificultam financiamentos. Mas os números mostram justamente o contrário: o interesse dos brasileiros pela compra de imóveis continua elevado em 2026.

Segundo levantamento divulgado pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), 49% dos brasileiros afirmam ter intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses. O índice permanece praticamente estável há quase dois anos e está entre os maiores níveis já registrados pela pesquisa.

O dado reforça uma tendência importante do mercado: mesmo diante de juros altos, o imóvel continua sendo visto como prioridade patrimonial, segurança financeira e realização pessoal.

Por que o mercado imobiliário segue aquecido?

Historicamente, taxas de juros elevadas reduzem o acesso ao financiamento imobiliário. Porém, o comportamento do consumidor brasileiro mostra que outros fatores seguem sustentando a demanda por imóveis.

Entre os principais motivos estão:

  • desejo da casa própria;
  • busca por estabilidade;
  • valorização patrimonial;
  • crescimento da renda média;
  • mercado de trabalho mais forte;
  • medo de alta futura nos preços;
  • visão do imóvel como investimento seguro.

Segundo os dados da pesquisa, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda média ajudam a manter a confiança das famílias na compra de imóveis, mesmo em um cenário econômico mais desafiador.

O sonho da casa própria continua forte

A principal motivação para compra ainda é sair do aluguel. De acordo com o levantamento, 38% dos entrevistados afirmaram que essa é a principal razão para adquirir um imóvel.

Além disso, muitos compradores enxergam o financiamento como uma forma de transformar o valor do aluguel em patrimônio próprio.

Outro fator relevante é a busca por melhoria de qualidade de vida. Muitas famílias procuram:

  • imóveis maiores;
  • apartamentos mais modernos;
  • condomínios com lazer;
  • melhor localização;
  • mais segurança;
  • espaços adequados para home office.

O imóvel deixou de representar apenas moradia e passou a refletir estilo de vida e planejamento de longo prazo.

Jovens estão movimentando o mercado

Um dos dados que mais chamaram atenção na pesquisa foi o crescimento da intenção de compra entre os jovens.

A chamada Geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, aparece liderando o interesse por imóveis em diversos levantamentos recentes.

Entre os fatores que explicam esse movimento estão:

  • desejo de independência;
  • planejamento patrimonial precoce;
  • busca por estabilidade;
  • medo da alta contínua dos aluguéis;
  • interesse em investimento imobiliário.

Apesar disso, especialistas também apontam que muitos jovens ainda enfrentam dificuldades para financiar imóveis devido aos preços elevados e à necessidade de entrada inicial.

O Minha Casa Minha Vida segue impulsionando vendas

Outro fator importante para o aquecimento do setor é o programa Minha Casa Minha Vida.

Segundo os dados divulgados pela CBIC, o programa respondeu sozinho por 49% das vendas realizadas no país no primeiro trimestre de 2026.

A ampliação recente das faixas de renda e dos limites de financiamento ajudou a aumentar o acesso ao crédito para famílias de renda média, ampliando o número de potenciais compradores.

Além disso, os juros subsidiados do programa tornam o financiamento mais acessível mesmo em um cenário de Selic elevada.

O imóvel continua sendo visto como investimento seguro

Mesmo com o crescimento de investimentos digitais e aplicações financeiras, o imóvel segue sendo percebido por muitos brasileiros como uma das formas mais sólidas de proteção patrimonial.

Em momentos de instabilidade econômica, o mercado imobiliário costuma ser associado a:

  • segurança;
  • preservação de patrimônio;
  • proteção contra inflação;
  • geração de renda com aluguel;
  • valorização no longo prazo.

Discussões em fóruns e redes sociais mostram que muitos consumidores ainda enxergam o imóvel como um “porto seguro” para o patrimônio familiar.

A preferência ainda é por casas

Outro dado interessante da pesquisa é a preferência dos brasileiros por casas de rua.

Segundo o levantamento:

  • 47% preferem casas;
  • 35% preferem apartamentos;
  • 14% buscam casas em condomínio fechado.

A valorização de espaço, privacidade e conforto após a pandemia ajudou a fortalecer essa preferência em várias regiões do país.

Ainda assim, apartamentos seguem bastante procurados principalmente em grandes cidades, onde localização e mobilidade continuam sendo fatores decisivos.