Durante o Summit Imobiliário 2025, promovido pelo Estadão e pela SECOVI-SP, Ely Wertheim, presidente da entidade que representa o setor imobiliário paulista, traçou um panorama otimista, porém realista, para o futuro do mercado imobiliário brasileiro.

Com uma análise que vai além dos números, Wertheim destacou os desafios macroeconômicos do país, o impacto da alta da taxa Selic, o protagonismo da juventude no mercado consumidor e os avanços em sustentabilidade como fatores-chave para entender o comportamento atual e futuro da habitação no Brasil.

Selic alta e crédito mais caro: obstáculo ou oportunidade?

O presidente do Secovi-SP foi direto ao ponto ao abordar um dos principais gargalos do setor em 2025: o custo do crédito imobiliário. Com a Selic em 15% ao ano, muitas famílias enfrentam dificuldades para financiar a casa própria.

Wertheim reconhece que a alta da taxa de juros tem sido um freio para a demanda, mas lembra que o mercado brasileiro já passou por momentos mais desafiadores e que a maturidade do setor atual é um diferencial importante. “Hoje temos mais dados, mais tecnologia e produtos mais acessíveis para atender diferentes perfis de clientes”, afirmou.

Ele ainda destacou a importância do papel do governo na manutenção de políticas de habitação de interesse social e a necessidade de novas alternativas de financiamento, especialmente via parcerias público-privadas e incentivos à construção.

Jovens como protagonistas da nova demanda habitacional

Um dos pontos altos da entrevista foi a ênfase em um público que tem ganhado cada vez mais protagonismo no setor: os jovens adultos.

Segundo Wertheim, esse grupo está reinventando o conceito de moradia, com prioridades que vão além da metragem do imóvel. “O jovem quer mobilidade, conveniência, tecnologia e sustentabilidade. Muitas vezes, prefere morar perto do trabalho e de serviços do que adquirir um imóvel grande em bairros distantes.”

Essa mudança de comportamento tem impulsionado empreendimentos compactos, co-livings, studios e imóveis com áreas comuns mais tecnológicas e funcionais.

Além disso, cresce o interesse por locação qualificada, com serviços agregados e gestão profissional, evidenciando a diversificação das estratégias de investimento imobiliário e o fortalecimento do mercado de aluguéis.

Sustentabilidade e inovação: o caminho inevitável

Wertheim também abordou a transformação verde pela qual o setor vem passando. A busca por prédios mais sustentáveis, eficientes em energia, água e resíduos já não é apenas uma tendência – é uma exigência de mercado.

Empreendimentos certificados, uso de energia solar, reaproveitamento de água, infraestrutura para carros elétricos e tecnologia embarcada passaram a ser critérios decisivos de escolha, tanto para compradores quanto para investidores.

Segundo o presidente do Secovi, “a sustentabilidade não é só ambiental, é também econômica: empreendimentos mais eficientes reduzem custos e se valorizam mais.”

Desafios regulatórios e burocracia ainda travam o setor

Apesar do otimismo, Ely Wertheim foi claro sobre os entraves que ainda limitam o desenvolvimento do setor imobiliário: a burocracia excessiva, a morosidade nas aprovações de projetos e a insegurança jurídica são problemas estruturais que, segundo ele, exigem um esforço coordenado entre os poderes públicos e a iniciativa privada.

Ele também defendeu a modernização dos planos diretores urbanos, com mais flexibilidade para atender às demandas reais da sociedade e permitir o adensamento inteligente em regiões com infraestrutura já consolidada.

Expectativas para o segundo semestre de 2025

Apesar de um cenário macroeconômico desafiador, o Secovi-SP projeta crescimento moderado para o segundo semestre, impulsionado por:

  • Lançamentos direcionados a públicos de média e alta renda;

  • Consolidação do programa Minha Casa, Minha Vida;

  • Estabilização do ciclo de alta da Selic;

  • Adoção crescente de ferramentas digitais para facilitar processos de compra, venda e financiamento.


A fala de Ely Wertheim no Summit Imobiliário 2025 deixa uma mensagem clara: o setor imobiliário brasileiro está em transformação.

Entre juros altos, novas demandas geracionais, inovação tecnológica e sustentabilidade, o futuro da habitação passa por uma visão mais estratégica, inclusiva e conectada à realidade urbana.