O mercado de locação residencial em Porto Alegre apresentou forte valorização nos últimos 12 meses, com alta acumulada de 18,4% no preço do aluguel, segundo levantamento divulgado pela GZH, com base em dados do mercado imobiliário. O índice coloca a capital gaúcha entre as capitais com maior avanço nos preços de locação do país.

O movimento é reflexo direto da combinação entre aumento da demanda, restrição momentânea da oferta e elevação dos custos operacionais dos imóveis, em um cenário de recuperação econômica gradual e mudanças no comportamento residencial da população.

Bairros com o metro quadrado mais caro para aluguel

O levantamento aponta que bairros tradicionais e de alto padrão concentram os maiores valores de aluguel por metro quadrado em Porto Alegre, refletindo localização privilegiada, infraestrutura urbana consolidada e maior padrão construtivo dos imóveis.

Entre os bairros com maior custo médio para locação, destacam-se:

  • Moinhos de Vento

  • Bela Vista

  • Mont’Serrat

  • Rio Branco

  • Jardim Europa

  • Auxiliadora

Essas regiões apresentam forte presença de empreendimentos novos, condomínios com infraestrutura completa, proximidade com áreas verdes, comércio qualificado, serviços e acesso facilitado às principais vias da cidade, fatores que impactam diretamente no valor final do aluguel.

Em alguns desses bairros, o valor médio do metro quadrado já ultrapassa R$ 55, posicionando Porto Alegre em patamares próximos aos observados em capitais como Curitiba, Belo Horizonte e Brasília.

Fatores que explicam a alta do aluguel

A valorização expressiva dos aluguéis na capital gaúcha é resultado da convergência de diversos fatores estruturais e conjunturais:

1. Aumento da demanda por locação
O cenário de juros elevados nos financiamentos imobiliários dificultou a compra do imóvel próprio, levando muitas famílias a permanecerem mais tempo no mercado de locação.

2. Redução temporária da oferta
Eventos climáticos extremos ocorridos em 2024 impactaram diretamente parte do estoque habitacional, reduzindo momentaneamente a quantidade de imóveis disponíveis e pressionando os preços.

3. Crescimento do custo de manutenção dos imóveis
A elevação dos custos de condomínio, manutenção predial, seguros e serviços terceirizados foi repassada gradualmente aos valores de aluguel.

4. Entrega de empreendimentos com padrão mais elevado
Novos lançamentos apresentam maior nível de infraestrutura, o que contribui para elevar a média geral dos preços praticados.

Impacto por perfil de imóvel

O aumento do aluguel atinge praticamente todas as tipologias, mas os dados indicam maior pressão sobre:

  • Apartamentos de 1 dormitório e studios, impulsionados pela alta demanda de estudantes, jovens profissionais e investidores em locação.

  • Imóveis compactos em regiões centrais, que oferecem maior mobilidade urbana e proximidade com polos de trabalho, estudo e lazer.

Unidades maiores, especialmente acima de três dormitórios, apresentaram valorização mais moderada, em função do ticket médio mais elevado e da base mais restrita de público.

Porto Alegre no contexto nacional

No cenário nacional, Porto Alegre acompanha uma tendência generalizada de alta nos preços de aluguel, que em 2024 já havia superado o índice oficial de inflação. O comportamento da capital gaúcha, porém, se destaca pela velocidade da valorização, sobretudo a partir do segundo semestre de 2024.

Indicadores apontam que o ritmo de crescimento permanece acima da média nacional, consolidando a cidade como um dos mercados mais aquecidos do Sul do Brasil no segmento de locação residencial.

Perspectivas para 2026

A tendência observada pelos principais indicadores do setor é de manutenção de crescimento real nos valores de aluguel ao longo de 2026, embora em ritmo possivelmente mais moderado.

A expectativa é que:

  • O aumento da oferta, com novos empreendimentos sendo entregues, contribua para reduzir a pressão sobre os preços.

  • O comportamento dos juros e do crédito imobiliário influencie diretamente a migração entre compra e locação.

  • Soluções construtivas mais eficientes possam conter parte do crescimento dos custos condominiais, impactando indiretamente os valores finais.