A inadimplência no mercado de locação residencial voltou a subir no Brasil, mas um dado chama ainda mais atenção: os maiores índices de atraso no pagamento do aluguel estão concentrados justamente nos dois extremos da renda.
Segundo o Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, divulgado em maio de 2026, imóveis com aluguel superior a R$ 13 mil registraram taxa de inadimplência de 6,16%, acima da média nacional de 3,22%. Na outra ponta, imóveis com aluguel de até R$ 1 mil apresentaram inadimplência ainda maior, de 6,31%.
Esses números mostram que o risco de inadimplência não está concentrado apenas nas famílias de menor renda, como muitas vezes se imagina.
Os extremos da renda concentram os maiores atrasos
Os dados revelam um comportamento curioso.
Enquanto os imóveis mais baratos e os de alto padrão registram os maiores índices de atraso, as faixas intermediárias apresentam um cenário bem mais estável.
Aluguéis entre aproximadamente R$ 2 mil e R$ 5 mil continuam apresentando as menores taxas de inadimplência do mercado, indicando maior equilíbrio financeiro entre renda familiar e custo da moradia.
Por que imóveis de alto padrão também registram inadimplência?
À primeira vista, pode parecer contraditório.
No entanto, especialistas apontam que contratos de alto valor normalmente envolvem empresários, executivos e profissionais liberais cuja renda depende diretamente do desempenho de seus negócios.
Oscilações econômicas, redução de receitas, mudanças no mercado ou dificuldades de fluxo de caixa podem afetar temporariamente a capacidade de pagamento, mesmo entre famílias com renda elevada.
Além disso, o número absoluto de contratos nessa faixa é menor, fazendo com que pequenas variações representem mudanças significativas no percentual de inadimplência.
Nas faixas de menor renda, o orçamento é mais pressionado
Já entre os imóveis de até R$ 1 mil, o cenário é diferente.
Famílias de menor renda costumam comprometer uma parcela maior do orçamento com moradia. Qualquer aumento nas despesas com alimentação, transporte, energia elétrica ou saúde pode dificultar o pagamento do aluguel.
Mesmo com um mercado de trabalho mais aquecido, o custo de vida continua pressionando o orçamento dessas famílias, tornando essa faixa mais vulnerável à inadimplência.
Faixas intermediárias seguem mais equilibradas
Os contratos com valores intermediários continuam apresentando o melhor desempenho.
Isso acontece porque, em muitos casos, representam famílias com renda mais estável, maior capacidade de planejamento financeiro e menor comprometimento proporcional da renda com habitação.
O mercado segue saudável
Apesar da alta registrada em maio, a inadimplência nacional permaneceu em 3,22%, um percentual considerado relativamente baixo para o mercado de locação brasileiro.
Isso demonstra que a grande maioria dos contratos continua sendo cumprida normalmente, reforçando a segurança do investimento em imóveis destinados à locação.
Os números mostram que não existe uma relação direta entre valor do aluguel e risco de inadimplência.
Enquanto imóveis muito baratos sofrem com a pressão sobre o orçamento das famílias, imóveis de alto padrão também podem registrar atrasos em momentos de instabilidade econômica.
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