O crédito com garantia de imóvel, conhecido como home equity, começou 2026 em forte expansão no Brasil. Segundo dados da Abecip, a modalidade registrou R$ 3,16 bilhões em concessões no primeiro trimestre do ano, crescimento de 25,8% em relação ao mesmo período de 2025 — o maior volume da série histórica iniciada em 2018.
O avanço chama atenção em um cenário de juros ainda elevados no país e mostra como os brasileiros passaram a enxergar o imóvel não apenas como patrimônio, mas também como uma ferramenta de acesso a crédito mais barato.
O que é home equity?
O home equity é uma modalidade de empréstimo em que o proprietário utiliza um imóvel como garantia para obter crédito junto a bancos ou instituições financeiras.
Na prática, o imóvel continua sendo do proprietário, que pode seguir morando, alugando ou utilizando normalmente o bem. Porém, ele fica alienado à instituição financeira até a quitação da dívida.
Por existir uma garantia real na operação, os juros costumam ser muito menores do que em linhas tradicionais de crédito pessoal.
Por que o home equity cresceu tanto?
O crescimento da modalidade está ligado a diferentes fatores econômicos e regulatórios.
Entre os principais motivos estão:
- juros menores em comparação ao crédito pessoal;
- prazos mais longos para pagamento;
- maior flexibilização das regras;
- busca por reorganização financeira;
- uso do crédito para investimentos e reformas.
Segundo dados do Banco Central citados pela reportagem, enquanto o empréstimo pessoal tradicional possui taxa média de 6,67% ao mês, o home equity trabalha com juros entre 1,12% e 1,80% ao mês nos principais bancos brasileiros.
Além disso, os prazos podem chegar a 15 ou até 20 anos, dependendo da instituição financeira.
O Marco das Garantias impulsionou o setor
Outro fator importante para o crescimento do home equity foi a regulamentação do chamado Marco das Garantias.
Desde julho de 2025, passou a ser permitido utilizar o mesmo imóvel em mais de uma operação de crédito, desde que ainda exista margem disponível de garantia.
Antes da mudança, o imóvel ficava vinculado apenas a um contrato, mesmo que boa parte do valor do bem ainda estivesse livre.
Na avaliação do mercado, a medida aumentou a eficiência do uso do patrimônio imobiliário e tende a ampliar ainda mais a modalidade nos próximos anos.
Como o crédito costuma ser utilizado?
Diferente do financiamento imobiliário, em que o recurso precisa obrigatoriamente ser utilizado na compra de um imóvel, o home equity oferece uso livre do dinheiro.
Os recursos costumam ser utilizados para:
- quitar dívidas mais caras;
- reformar imóveis;
- investir em negócios;
- capital de giro;
- pagamento de estudos;
- reorganização financeira;
- projetos pessoais.
O movimento cresceu principalmente entre consumidores que já possuem imóvel quitado e buscam crédito com custo mais baixo.
O imóvel passa a ter uma nova função financeira
O avanço do home equity mostra uma mudança importante na relação do brasileiro com o imóvel.
Tradicionalmente visto apenas como patrimônio familiar ou moradia, o imóvel passa a ser enxergado também como ativo financeiro estratégico.
Em mercados mais desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, o uso do patrimônio imobiliário como garantia já é bastante comum. No Brasil, a modalidade ainda representa uma pequena parcela do mercado de crédito, mas vem crescendo gradualmente.
Ainda existem barreiras culturais
Apesar da expansão, especialistas apontam que o home equity ainda enfrenta resistência no Brasil.
Entre os principais motivos estão:
- receio de perder o imóvel;
- desconhecimento sobre a modalidade;
- burocracia;
- custos cartoriais;
- falta de educação financeira.
O principal risco realmente existe: em caso de inadimplência prolongada, o imóvel pode ser tomado pela instituição financeira.
Por isso, o crédito com garantia de imóvel costuma ser mais indicado para quem possui organização financeira e planejamento de longo prazo.
O que esperar para os próximos anos?
A expectativa do mercado financeiro é de continuidade no crescimento do crédito imobiliário e do home equity nos próximos anos. A própria Abecip projeta expansão relevante do setor em 2026, impulsionada pela maior oferta de crédito e mudanças regulatórias recentes.
Além disso, a tendência é que mais consumidores passem a conhecer a modalidade e utilizem o imóvel como instrumento para reorganizar finanças ou viabilizar projetos com custo menor de crédito.
O crescimento do home equity reforça também a força do mercado imobiliário brasileiro, mostrando que o imóvel continua sendo um dos ativos mais valorizados e estratégicos para as famílias.


